Por Daiane Barbosa

Entre o barulho das ferramentas e o canto das aves, o abaeteense Ruhan Tagori Gomes de Sousa, de 36 anos, divide o tempo entre o trabalho com higienização de estofados e o sonho que carrega desde menino: criar galinhas garnizé. Casado com Jéssica Rodrigues e pai de Isac, de 5 anos, e Lívia, de 2, ele transformou o quintal de casa em um pequeno refúgio onde o som do amanhecer se mistura ao canto das micro galinhas caipiras. “Eu sempre gostei de criar, mas não tinha um bom quintal. Depois que construí minha casa, com mais espaço, resolvi voltar a criar há cinco anos”, conta.

Antes disso, Ruhan já criava na roça, na casa da avó, e chegou a tentar na cidade, mesmo com pouco espaço. Agora, com o Criatório Tagori, ele mantém viva uma paixão que mistura dedicação e encanto. “Dá um pouquinho de trabalho, mas para quem gosta, não é trabalho. Eu trato de manhã e à tarde, é uma rotina que me faz bem”, diz.
Inovação e reconhecimento no país
Hoje, o criatório abriga cerca de 40 aves, entre adultos e pintinhos. Os cuidados são simples, parecidos com os das galinhas comuns. “A diferença é nos primeiros 30 dias, quando os pintinhos precisam de ração mais fina. As adultas comem os mesmos alimentos que as galinhas tradicionais.”, conta Tagori.

Atento e curioso, Ruhan aprimorou técnicas e passou a usar inseminação artificial para melhorar a eclosão dos ovos. “Os galos conseguem fazer a monta natural, mas eu uso a técnica para aumentar a taxa de eclosão. Tenho prazer em fazer isso.”
No início, a maior dificuldade foi encontrar aves pequenas para começar o projeto. “Comecei com galinhas grandes e fui diminuindo aos poucos. Até hoje trabalho no tamanho delas”, explica. Com o tempo, o criador passou a se destacar por variedades raras, como as pescoço pelado e suros, aves sem rabinho. “Do jeito que eu trabalho aqui, sou um dos únicos. É muito pouca gente”, comenta.

O reconhecimento veio com o tempo e com a internet. Nas redes sociais, especialmente no Instagram, Ruhan ganhou destaque: uma de suas postagens ultrapassou 13 milhões de visualizações, atraindo criadores e apaixonados de várias regiões do país. “Sempre tem alguém querendo comprar, mas eu crio por hobby. Só vendo quando tenho uma boa quantidade. Cada venda é uma nova amizade”, diz, reforçando que está sempre em contato com outros criadores e admiradores do seu trabalho.
As espécies do criatório chamam atenção por onde passa, devido a sua exclusividade “Já cheguei a levar minhas aves em um encontro e lá as pessoas ficaram encantadas pois não havia aves do padrão e tamanho das minhas. recebi várias propostas inclusive de valores bem altos. Para que meu trabalho possa ser mais reconhecido, separo minhas aves somente por tamanho e outras características como os pescoço pelados e “suros” que são os que não tem o rabinho.”

Mais do que um negócio, o Criatório Tagori representa a realização de um sonho de infância. “Era meu desejo diminuir as aves até chegar num padrão que encantasse quem olhasse. Hoje isso é real. Cada pintinho nasce com uma cor diferente, e isso é o mais gratificante.”, afirma, emocionado.
Conheça mais o trabalho de Ruhan Tagori pelo Instagram @microcaipira
