Depois de viver na Itália, no México e, há 26 anos, nos Estados Unidos, a jornalista, fotógrafa e curadora de arte Arilda Costa McClive voltou a Abaeté para um reencontro com suas origens. Durante cerca de dez dias na cidade onde nasceu, ela revisitou memórias, reencontrou familiares e amigos e fortaleceu a conexão com a terra que, segundo ela, sempre carregou no coração.

Embora tenha deixado Abaeté ainda aos três anos de idade para morar em Belo Horizonte, Arilda afirma que a cidade nunca deixou de fazer parte da sua identidade.
“Levei Abaeté comigo pelo mundo. Meus pais nasceram e se casaram aqui. Voltar é entender de onde eu vim.”
O sonho de aprender italiano levou Arilda à Europa. A ideia inicial era estudar o idioma e retornar ao Brasil para trabalhar na Fiat. Mas os planos mudaram. Encantada pela arte, pela história e pela arqueologia italianas, decidiu permanecer no país, onde constituiu família. Foi na Itália que nasceu sua filha, Celinne da Costa, hoje escritora best-seller nos Estados Unidos e colaboradora das edições americana e japonesa da Forbes.


Posteriormente, mudou-se para os Estados Unidos, onde iniciou sua trajetória no jornalismo. Há mais de 20 anos, é colunista do Brazilian Times, um dos mais tradicionais jornais voltados à comunidade brasileira no exterior.
Ao longo da carreira, entrevistou importantes nomes da cultura, da literatura e da diplomacia, entre eles o maestro João Carlos Martins, o escritor Augusto Cury e o príncipe herdeiro da antiga Iugoslávia, Alexander Karađorđević. Também atua como fotógrafa e curadora de arte. Como Diretora Cultural da Brazilian Community Heritage Foundation, recebeu, em 2015, o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Biblioteca Brasileira de Nova York, em reconhecimento ao trabalho de valorização da cultura brasileira nos Estados Unidos.





Histórias que marcaram uma vida
Entre as muitas lembranças da trajetória internacional, Arilda destaca um encontro que considera inesquecível.
Grávida de oito meses, durante uma viagem a Roma, ela participou, por acaso, de uma audiência pública no Vaticano e recebeu a bênção do Papa João Paulo II.
“Foi um momento muito especial. Ele me abençoou e também abençoou minha filha, que eu ainda esperava.”

Outro episódio marcante aconteceu anos depois, durante uma viagem à Sérvia. Sem esperar, foi convidada para um jantar com o príncipe herdeiro da antiga Iugoslávia, Alexander Karađorđević, primo do rei Charles III, do Reino Unido.
Raízes preservadas
Mesmo fluente em português, italiano, inglês e espanhol, Arilda faz questão de manter o sotaque mineiro.
“Eu amo o sotaque mineiro. Faz parte da minha identidade.”
Ela também relembra com carinho a ligação da família com Abaeté. Seu avô foi proprietário de fazenda na região, e o tio Vitor Costa também manteve propriedades rurais no município.
Um sonho realizado
Ao recordar a infância, Arilda conta que uma professora perguntou o que ela queria ser quando crescesse. A resposta surpreendeu a educadora.
“Eu disse que queria viajar o mundo.”
Anos mais tarde, já com uma carreira internacional consolidada, reencontrou a professora, que se emocionou ao lembrar daquela conversa.
Por isso, deixa um conselho aos jovens que estão começando a construir seus caminhos:
“Nunca desistam dos seus sonhos.”








A passagem por Abaeté foi marcada por reencontros, visitas a familiares e amigos e pela oportunidade de revisitar as próprias raízes. Para Arilda, conhecer novas culturas e viver experiências em diferentes países transformou sua maneira de enxergar o mundo, mas voltar à cidade onde nasceu teve um significado único.
“Você conhece novas culturas, vive novas experiências, mas sempre existe um lugar que desperta a curiosidade de voltar às suas origens.”
Durante a visita, Arilda também concedeu uma entrevista exclusiva ao Nosso Jornal. Na conversa, ela relembra a infância, conta como surgiu a oportunidade de morar na Itália, fala sobre a carreira construída nos Estados Unidos, compartilha histórias marcantes vividas ao lado de grandes personalidades e revela a emoção de retornar a Abaeté depois de tantos anos.


A entrevista completa está disponível no canal do Nosso Jornal no YouTube.