Brenda Marcelino, da zona rural de Morada Nova de Minas ao cenário internacional da moda

Quando passou no vestibular para cursar Design de Moda na Universidade Fumec, aos 16 anos de idade, a estilista Brenda Marcelino ainda não imaginava que, poucos anos depois, teria uma rotina profissional marcada por viagens de pesquisa pelos grandes centros da moda, como Londres, Paris e Roma.
Filha de José Eustáquio Marcelino, diretor administrativo da Cooperabaeté, e de Celgis, conhecida como Nega, ela foi criada em Cacimbas, na zona rural de Morada Nova de Minas, onde cresceu encantada com o trabalho manual da avó e da mãe. “A possibilidade de criar peças do zero, unindo forma e função, é algo que sempre me cativou”, destaca Brenda, que teve a primeira oportunidade profissional ainda durante a graduação, por meio de um estágio com a estilista Gláucia Fróes, à frente da marca Plural. “Foi quando tive contato real com o mercado e minha mente se abriu para esse universo de possibilidades”, conta.



O período incluiu participação em feiras, desfiles e contato com fornecedores, criativos, imprensa e profissionais de diversas áreas. “Essa experiência reforçou a certeza de que eu estava no caminho certo, tanto na área acadêmica quanto profissional”, afirma.
Logo após a graduação, Brenda cursou um MBA em Direção Criativa e ingressou na Essenciale, marca mineira de casual chic onde atua até hoje. Começou como estilista assistente e, ao longo do tempo, assumiu o cargo de estilista sênior, trabalhando ao lado da fundadora da marca, Valéria Lemos. “Foi um processo de crescimento contínuo. Com curiosidade, dedicação e vontade de aprender, cresci como profissional e como pessoa”, destaca.


Brenda ressalta que o cotidiano da profissão está distante da ideia de glamour muitas vezes associada à moda. “O glamour acontece muito mais nas capas de revista, na TV e hoje na internet. No dia a dia, a profissão exige muito empenho, concentração, prazos apertados e, às vezes, solidão”, observa. Segundo ela, muitos processos são confidenciais, já que as coleções são desenvolvidas com antecedência, e nem sempre tudo dá certo de imediato.
Apesar dos desafios, a satisfação profissional compensa. “Não tem nada mais gratificante do que ver uma coleção pronta, coerente e comercial, e perceber a reação das clientes ao vestir cada peça”, avalia. Para Brenda, esse retorno indica que o trabalho cumpriu seu papel: surpreender e antecipar desejos.


Atualmente, aos 31 anos, a estilista realiza viagens periódicas ao exterior para pesquisa de moda, mantendo contato com grandes marcas e nomes do cenário internacional. “Essas experiências ampliam o repertório criativo e ajudam a entender melhor o comportamento das pessoas”, acrescenta.
Mesmo com uma rotina profissional intensa e em constante deslocamento, a ligação com o interior permanece forte. “Hoje, o lugar de onde eu vim é um espaço de reconexão. Sempre que volto para o interior, retorno com boas ideias”, afirma. O contato com a natureza, as paisagens, as cores, as texturas e as vivências da zona rural seguem como fontes constantes de inspiração.
Os valores aprendidos em casa continuam sendo referência. “Meus pais sempre me ensinaram sobre persistência, responsabilidade e fazer tudo bem feito, com verdade, independentemente das dificuldades”, conclui.

