MENU

Canções do Rosário ganham as plataformas digitais

Canções do Rosário ganham as plataformas digitais

Composições de Lucas Eduardo ajudaram a ampliar a visibilidade da Festa do Rosário de Dores do Indaiá e agora podem ser ouvidas no Spotify e em outras plataformas

Na semana da Festa do Rosário de Dores do Indaiá, versos dedicados a Nossa Senhora atravessaram fronteiras. Os vídeos se espalharam pelas redes sociais, os perfis dos ternos ganharam visibilidade e pessoas de diferentes regiões passaram a conhecer uma das mais importantes manifestações de fé e cultura da cidade.

Por trás das músicas estava Lucas Eduardo, compositor, músico e filho de Dores do Indaiá. Ao todo, ele participou da criação de dez canções interpretadas por cinco ternos. Algumas foram feitas sozinho. Outras nasceram de parcerias, histórias e experiências de fé compartilhadas com amigos e integrantes da festa. “Este ano foi muito especial. As músicas começaram a ganhar visibilidade e o pessoal passou a conhecer a festa de Dores por meio delas”, comemora Lucas.

Seis músicas já disponíveis

A trajetória ganhou um novo capítulo no dia 12 de outubro, data dedicada a Nossa Senhora Aparecida. Seis canções foram lançadas oficialmente no Spotify e em outras plataformas digitais: “M de Maria”, “Mais uma Flor”, “Carta”, “Nossa Senhora”, “Terço Dourado” e “Vento de Agosto”.

Os lançamentos reúnem o UAI BEATS, Isabelle Carvalho, Guilherme Assis, Mariana Calmon e o perfil Histórias do Indaiá. Agora, as músicas que emocionaram o público durante o Rosário podem alcançar novos ouvintes e levar ainda mais longe suas mensagens de fé, devoção e amor por Maria.

“As músicas ganharam visibilidade, o pessoal começou a falar sobre Nossa Senhora, sobre Maria, e eu consegui entregar essa mensagem para vários lugares”, conta o compositor.

A flor que virou música

A história começou anos antes, com uma imagem que Lucas guardou na memória. Durante uma coroação, em frente à igreja de Nossa Senhora, ele viu uma flor cair. Na época, já pensava em fazer uma música para a Festa do Rosário, mas não conseguia escrever sobre temas que mexiam profundamente com ele. “Eu tinha muita vontade de fazer uma música religiosa, mas era um assunto muito forte para mim. Por isso, não dava conta de compor”, relembra.

Em 2024, enquanto estava na fazenda, uma frase surgiu em sua mente: “Olha para o céu, que está caindo uma flor”. Ao chegar em casa, escreveu “Mais uma Flor”, sua primeira composição dedicada à festa. “Demorei cerca de 20 minutos para fazer a música. Não sei explicar. Acho que tudo foi encaminhado por Nossa Senhora”, afirma Lucas.

Como ainda não gostava de cantar, pediu a Isabelle Carvalho que gravasse uma primeira versão. A canção chegou ao Terno Rosas de Ouro e foi acolhida pelas integrantes. Embora inicialmente não estivesse participando da festa, Lucas acabou ajudando os músicos e dançando com o grupo.

Depois das apresentações, começaram a chegar mensagens de pessoas que encontraram conforto e esperança na música. Uma delas contou que tentava engravidar havia anos e passou a ouvir a canção durante suas orações. Mais tarde, comunicou a Lucas que havia conseguido engravidar. “Foi uma coisa que me tocou muito”, revela.

Dez músicas, cinco ternos

No final de 2024, uma nova inspiração surgiu. Depois de participar de uma missa, Lucas chegou em casa, olhou para a palma da própria mão e começou a escrever outra canção. Como não conseguiu terminá-la naquela noite, procurou novamente Isabelle. Juntos, concluíram “M de Maria”, também conhecida pelo público como “Ave Maria”. “Desde quando fiz essa música, senti que havia alguma coisa diferente nela”, recorda.

Para o Terno Rosas de Ouro, Lucas e Isabelle compuseram “Mais uma Flor” e “M de Maria”. Com Guilherme Assis, ele criou “Nossa Senhora” e “Terra Sagrada”, interpretadas pelo Terno Pérolas do Rosário.

O Terno Estrelas do Rosário recebeu quatro composições: “Maria”, “Tem um Lugar” e “15 Anos”, escritas por Lucas e Mariana Calmon, além de “Toque da Caixa”, composta pelos dois em parceria com Marcos Vinícius.

Lucas também assina “Carta”, do Terno Damas de Cristal. A música nasceu do relato de Karen, capitã do grupo, que sonhou com Nossa Senhora lhe entregando uma carta. Com Mariana Calmon, ele compôs ainda “Filha”, interpretada pelo Terno Seguidoras de Maria. “Às vezes, passo três ou quatro horas compondo uma música sertaneja. Essas músicas para Nossa Senhora nasceram em poucos minutos. Não dá para explicar”, observa.

Uma história que começou na infância

A ligação de Lucas com a música vem de muito cedo. Há um vídeo em que ele aparece ainda pequeno, fingindo tocar sanfona. Antes de chegar ao instrumento que tanto admirava, estudou violão e viola. Mais tarde, o avô Tõe Carro, de Abaeté, emprestou-lhe uma sanfona que mantinha em casa.

No Congado, Lucas começou a dançar no Terno Catupé Tamboril e depois integrou o Pampas Gaúcho. Foi nesse período que se fortaleceu sua amizade com Juninho, com quem teve aulas de violão e sanfona.

Em 2018, começou a escrever suas primeiras composições. Durante a pandemia, passou a compor com amigos de forma on-line e a compreender melhor o mercado musical. Em 2023, fez sua primeira viagem a Goiânia. Paralelamente, concluiu a faculdade de Medicina Veterinária e voltou a se dedicar mais intensamente à música depois da formatura.

Suas composições já ganharam as vozes de Antony e Gabriel, Luiz Felipe, Bruno Rosa e Raul Martins. Entre elas estão “Coração de Bruta”, “Se o Agro Parar”, “Injusta”, “Louco” e “Parabéns por Terminar”. Segundo Lucas, cerca de 20 outras músicas de sua autoria também já foram registradas por diferentes artistas.

UAI BEATS: o simprão de tudo

Em 2026, a amizade com Juninho ganhou um novo capítulo. Depois de cerca de 15 anos afastado da música, ele retornou e, ao lado de Lucas, criou o UAI BEATS – O Simprão de Tudo.

O primeiro DVD foi gravado em abril, durante a Queima do Alho dos Caboclos. O projeto mistura sertanejo e eletrofunk, reunindo DJ, sanfona, viola, banda, bailarinas e repertório autoral.

Até o chapéu de palha usado pela dupla tem significado. Ele representa os avós, os trabalhadores do agro e as famílias que construíram suas histórias no campo. “É um projeto que valoriza a simplicidade, os nossos avós e as nossas raízes. As músicas mostram aquilo que nós realmente somos”, explica Lucas.

Em agosto, Lucas e Juninho estiveram em Barretos para apresentações e reuniões. Enquanto o UAI BEATS abria novos caminhos, as canções dedicadas a Nossa Senhora alcançavam públicos cada vez maiores.

Na trajetória de Lucas Eduardo, a sanfona, o sertanejo, o Congado, a fazenda e a devoção não seguem caminhos separados. Tudo se encontra em uma mesma história.

A flor que um dia caiu diante da igreja permaneceu guardada durante anos. Quando finalmente virou canção, voltou a cair sobre Dores do Indaiá, espalhando versos, fé e emoção. Agora, também pelas plataformas digitais, continua viajando cada vez mais longe.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *