MENU

MPMG determina perícia para avaliar tratamento de esgoto da Copasa em Abaeté

MPMG determina perícia para avaliar tratamento de esgoto da Copasa em Abaeté

Análise técnica visa verificar se estação está em conformidade com normas e acordo judicial; caso mobiliza a população desde início da cobrança de tarifa

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) determinou a realização de uma perícia técnica na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Copasa em Abaeté. A decisão foi tomada a partir de um procedimento administrativo aberto no início de julho, com o objetivo de verificar se a estrutura implantada pela companhia está funcionando conforme as normas técnicas e o acordo judicial firmado em 2023 com a Prefeitura e o próprio MPMG.

A medida foi motivada por um relatório da Polícia Militar Ambiental, solicitado pela Promotoria de Justiça de Abaeté, que apontou a presença de água escura e com mau cheiro sendo lançada no curso d’água que atravessa a cidade. Os indícios levantaram suspeitas sobre a eficácia do tratamento de esgoto realizado pela Copasa.

De acordo com o promotor Vitor Bernardes, responsável pelo caso, a perícia será fundamental para esclarecer, com base científica, se a ETE cumpre os critérios previstos em lei e no acordo judicial. “Nós acionamos o nosso órgão técnico para verificar se de fato a estação de tratamento e toda a estrutura que a envolve são adequadas e se a operação está sendo conduzida de forma correta”, afirmou.

Acordo condiciona cobrança à eficácia

A cobrança da tarifa de esgoto — correspondente a 74% do valor da conta de água — foi iniciada pela Copasa neste ano, o que provocou grande mobilização popular. Cidadãos, vereadores e lideranças locais passaram a acompanhar de perto a atuação da companhia, levantando dúvidas sobre a efetividade da coleta e do tratamento de esgoto prestados.

O acordo judicial firmado em 2023, no âmbito de uma Ação Civil Pública movida em 2019, estabelece que a cobrança só pode ser feita após a oferta integral e eficiente do serviço em toda a cidade. Caso a perícia identifique irregularidades, o MPMG poderá exigir a revisão dos termos pactuados.

Histórico do caso

Antes da instalação da ETE, o esgoto de Abaeté era despejado irregularmente em uma lagoa sanitária. Com o objetivo de regularizar a situação, o Ministério Público moveu a ação judicial e, após negociações, a Copasa comprometeu-se a implantar a estação e pagar R$ 4,7 milhões ao Fundo Municipal de Saneamento Básico, além de executar um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad) e um Projeto Sociopaisagístico para a área das antigas lagoas, com investimento de até R$ 3 milhões. As obras de revitalização seguem em andamento.

Apesar do cumprimento de parte das obrigações financeiras, a comunidade segue questionando a qualidade do serviço prestado. Em abril, o tema foi debatido em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), evidenciando a insatisfação da população.

Análise técnica e próximos passos

A perícia está sendo conduzida por um laboratório credenciado pelo Centro de Apoio Técnico (Ceat) do MPMG, que coletou amostras da água em trechos antes e depois da ETE, além de pontos do esgoto. O Ministério Público também requisitou à Copasa dados sobre a vazão da estação e, à Prefeitura, informações sobre a população atendida — elementos que serão considerados na análise técnica.

Embora o MPMG não atue diretamente na discussão sobre a tarifa, sua intervenção é voltada à proteção ambiental e ao cumprimento do acordo judicial. “A atuação do Ministério Público não é especificamente na cobrança de uma tarifa, mas sim na verificação da eficácia do serviço e na defesa do meio ambiente”, esclareceu Bernardes.

A conclusão da perícia técnica definirá os próximos passos. Caso sejam confirmadas falhas no serviço, o Ministério Público poderá retomar medidas judiciais ou propor novas tratativas com a Copasa e o município.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *